Esta manhã, fui fazer dois pagamentos à caixa multibanco dentro de uma loja de conveniência de uma bomba de gasolina. Depois de fazer os pagamentos, parei em frente ao escaparate das revistas e jornais para ler os títulos. Afastei uma revista com a mão para conseguir ler a capa de outra revista que estava por trás. Com isto, deixei cair ao chão as revistas que estavam à frente dessa e reparei que, ao mesmo tempo, caiu qualquer coisa entre o escaparate e o vidro da loja. Perguntei ao homem que estava ao meu lado se tinha alguma coisa pousada em cima das revistas porque me pareceu ter caído alguma coisa por trás do escaparate. Com ar mal encarado disse-me que sim. Fui espreitar e disse-lhe: «caíram dois envelopes». Resmungou qualquer coisa que não entendi e pensei para mim que o topo de revistas num local público não é sítio para pousar envelopes pessoais. Além disso, se não lhe tivesse dito nada, nem se tinha apercebido. Apesar da antipatia do homem, que permaneceu inerte, fui dizer à menina da caixa que havia um senhor a precisar de uma vassoura para retirar dois envelopes que tinham caído atrás do escaparate das revistas e saí da loja a sentir que cumpri com o meu dever.
Por vezes, tenho encontros rápidos com pessoas mal encaradas que me poderiam tirar a alegria ou a serenidade, e há dias em que pessoas assim parecem suceder-se umas a seguir às outras. Mas aprendi a desvalorizar, a manter o sorriso mesmo assim, a agradecer à gentileza de quem se cruza comigo sem dar demasiada importância a esses casos também, a manter o ânimo naquilo que se pode considerar o ponto de equilíbrio. É algo que se treina e o treino consiste em estar focada na minha própria vida sem perder a gentileza e o bom senso, em conservar a paz de espírito, em bloquear intencionalmente o estado de espírito do outro para proteger o meu. Sorrir, sorrir sempre, sorrir para o dia, sorrir para a vida.